domingo, 13 de março de 2011

Coisas que me causam sentimentos e opiniões dúbias...

... que é coisinha que eu não gosto, que eu sou uma pessoa de opiniões firmes e fáceis de tomar, sobre quase tudo na vida.

Uma dessas coisinhas são as leis laborais, é que é daquelas merdas que para onde quer que me vire não encontro solução satisfatória.
Se temos leis mais liberais, patrões pouco escrupulosos (cabrões, portanto) podem chantagear os funcionários efectivos, com o perigo de despedimento, se não concordarem com todo o tipo de condições de trabalho injustas e abusivas e podem despedir pessoas, válidas e competentes, por razões pessoais mesquinhas.
Por outro lado, a dificuldade em despedir funcionários efectivos cria, numa percentagem significativa, pequenos monstrinhos, semelhantes a pirralhos de cinco anos, altamente mimados, que fazem birra, batem com o pé e trabalhar, isso é que pouco.

Outra dessas coisas é esta história da geração à rasca, que me provoca sentimentos contraditórios.
Por um lado, dá-me altamente nos nervos e tenho vontade de lhes explicar que geração à rasca são todas no Bangladesh ou a da minha mãe, que nunca viu um médico, na infância, apesar de uma bronquite asmática e de se tapar com um cobertor roto e velho, numa casa sem luz ou água canalizada. 
Por outro lado, percebo, porque sofro do mesmo mal, de ter crescido numa geração em que nos disseram que tudo era possível, que tudo era de mão beijada, que bastava estudar para ter um emprego de luxo e comprar uma bela casa e ter um belo carro. E afinal não é assim, afinal não é só conseguir ir para a faculdade, tirar qualquer curso, para ter o futuro resolvido e um belo ordenado.


3 comentários:

Strategos disse...

Infelizmente,o grupo que uma vez no "quadro" não faz nenhum é gigantesco... Numa economia lógica, um bom trabalhador não tem que temer despedimento, pelo simples facto que não compensa despedir um bom trabalhador se a alternativa é um mau. Claro, a qualidade e visão de muitos dos "pstrões" portugueses deixa muito a desejar... Mas porque será que se diz que os portugueses "lá fora" trabalham bem? Será pelo facto de que se não trabalharem, são mesmo postos na rua? E leis laborais liberais parecem funcionar muito bem nos países nórdicos,onde os subsídios de desemprego até têm regras mais restritas...

Quanto à geração À rasca, as pessoas não querem trabalho, querem emprego. Em 1970, ter uma licenciatura implicava um bom emprego. Porquê? Porque havia poucos licenciados, com boa formação e eram facilmente absorvidos pelo mercado. Hoje, existe uma massificação do Ensino Superior, com licenciaturas muito curiosas (o que é uma licenciatura em "Estudos para a Paz"?) de qualidade duvidosa e naturalmente não há capacidade de absorção... Quem meteu na cabeça das pessoas que era preciso "uma" licenciatura, independentemente do que fosse, e que TODA a gente ia ser absorvida não em "trabalhos", mas em "empregos" (vulgo coisas em que se paga bem e se faz pouco)? Na Suupreirmaiça, por exemplo, o acesso ao Ensino Superior é limitado, não por questões financeiras (como nos US), mas por questões curriculares, havendo uma divisão em 3 grupos logo no secundário: Os que vão para a Universidade, Os que vão para cursos técnicos e os que vão apenas terminar o secundário. Claro, em Portugal tentar fazer isso era um escândalo, porque TODOS os alunos são Einsteins que apenas não se estão a aplicar, não é?

Sayuri disse...

Concordo plenamente. É preciso uma grande mudança de mentalidade a vários níveis. E tenho um pressentimento que esta crise vai obrigar a tal. Quando não se muda a bem, muda-se a mal e com muitos mais custos e sofrimento. Enfim...
Beijinho *

(Agora também se pode ser um fabuloso artista ou futebolista, além de Einstein :)))

Strategos disse...

É verdade, é verdade, basta dar uns chutos numa bola e fica logo toda a gente a adorar um trengo qualquer (já os artistas é mais complicado, passam muita fomita:) )

Beijinho